Home Data de criação : 09/06/23 Última atualização : 11/10/17 15:30 / 1 Artigos publicados

Masturbação mental ou fé real?  escrito em terça 23 junho 2009 19:45

Blog de lobo79 :Pensamentos Dissolutos: Raciocíneos Fragmentados de uma Mente não necessariamente Caótica., Masturbação mental ou fé real?

De que adianta passar boa parte do tempo dentro de igrejas quando o objetivo de toda prece ou oração está lá fora, nas ruas, nas casas, nas periferias do mundo? Pessoas necessitadas, crianças sem possibilidade de futuro, pais de família desempregados, jovens viciados em drogas e promiscuidade, pessoas sem o mínimo de infra-estrutura urbana para morar e viver e até mesmo sem conhecimento e informação.

            De que adianta ler e saber toda gama conceitual e lingüística de teologias, sejam elas cristãs ou pagãs, enquanto há amigos e familiares desorientados emocionalmente, sem apoio moral, emocional e social daqueles parentes e colegas que se auto-intitulam sábios e líderes de suas próprias religiões?

            Que vantagem há em ter uma bela reputação eclesiástica dentro dos limites dos templos, ou ter ótimos comportamentos dentro dos limites litúrgicos de cultos, missas ou encontros espiritualistas, enquanto no trabalho, na família, na comunidade, imperam a inveja, a luxuria, a avareza, a maledicência e a ganância?

            Fé sem obras é morta. E obras sem amor são ocas. Não iluda a si mesmo nem aos demais: Fé é aquilo que atua em prol do outro, começando dentro de casa, e vai se expandindo para a comunidade. Fé, seja ela qual for, que leve a ações de fanatismo ou atitudes meramente ritualísticas como as supracitadas, sem nenhuma postura ética, não pode ser Fé, mas sim masturbação mental: um vício como qualquer outro ópio particular ou coletivo.

            Pasteurização da consciência: todos jogados dentro de um grande caldeirão doutrinário, tendo suas mentes mexidas e remexidas, apenas com o fim de enganosamente se penitenciarem numa religiosidade de consumo: aquela “fé” de que deus e o sacerdote estão ali para resolver seus problemas e satisfazer seu apetite catártico: a necessidade de desabafar suas frustrações e sua solidão no meio de um grupo e por meio de gritos, pulos ou meditações e rezas egocêntricas.

            O Deus da mitologia cristã abriu mão de si mesmo em favor da humanidade perdida. Abriu mão de seu poder para mostrar, na forma de cruz, o caminho do verdadeiro crescimento espiritual. A saber: a renúncia de si mesmo e o sacrifício em benefício de outros humanos. Este Deus tem algo a ensinar: auto-conhecimento, abnegação e a superação de si mesmo. O caminho da fé real, a metamorfose pessoal, a transformação comunitária, a transcendência.

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